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Calor forte e maiores custos: produtores de MT já replantaram 3,72% das lavouras de soja

Por Redação em 19/11/2023 às 17:06:10

A onda de calor que atinge o país e que mantém as temperaturas acima dos 40º C no Mato Grosso está obrigando produtores de soja a fazerem o replantio da lavoura. Segundo Vanessa Gasch, gestora de Desenvolvimento Regional do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), essa opção já é uma realidade para aproximadamente 3,72% das plantações de soja do Estado.

"Para o produtor que opta pelo replantio, o custo é dobrado, uma vez que ele terá que aplicar novamente recursos em sementes, diesel para as máquinas agrícolas, entre outros gastos", comenta.

O percentual, informado pela gestora nesta sexta-feira (17/11) à reportagem, é atualizado semanalmente pelo Imea.

O replantio da soja é uma das consequências das altas temperaturas somadas ao clima seco devido à falta de chuva na região. "Esse cenário vai impactar diretamente na produtividade da soja e afetar a rentabilidade do produtor, uma vez que a atividade estará gerando menos receita", observa Vanessa.

E o prejuízo financeiro pode ser ampliado para muitos produtores, tendo em vista que o atraso na semeadura da soja somado à perspectiva de clima seco e com poucas chuvas para os próximos meses deve afetar também o plantio do milho de segunda safra. "É provável que haja queda na área de plantio estimada de milho no Estado", adverte a gestora.

O produtor rural Alexandre Volpato Gasparello comenta que este é um ano bem atípico em relação às safras passadas. "Este ano pegou a gente de surpresa, com um índice pluviométrico muito abaixo do que a gente vinha tendo nos últimos anos", frisa.

A declaração de Gasparello faz parte de um vídeo publicado nesta sexta-feira pela Aprosoja Mato Grosso, no canal da entidade no YouTube. O produtor mostra que em uma área apontada para replantio foi necessário perfurar 30 cm do solo para se chegar a uma temperatura de 33º C.

"Nossa média da safra anterior foi de 69 sacas [por hectare] e, para este ano, a gente projeta no máximo 60 sacas", acredita. "Mas o lucro vai ser bem abaixo disso, devido ao replantio, aos gastos que a gente teve", completa.

A Aprosoja Mato Grosso está realizando uma expedição pelo estado a fim de mostrar a situação atual das lavouras de soja. No vídeo, Fernando Ferri, coordenador da Comissão de Defesa Agrícola da Aprosoja MT, destaca que em algumas microrregiões tem chovido, mas a maioria do Estado está seco, passando por uma grande estiagem.

Entre os impactos encontrados pela equipe da entidade estão solo extremamente seco, plantas mortas ou subdesenvolvidas para o período, além de plantas registrando problemas com herbicidas. Atraso na semeadura da soja e previsão de redução de aproximadamente 30% da safrinha de milho, bem como preocupação com doenças como a ferrugem asiática devido ao plantio mais tardio, também são apontados pelos produtores.

"Tem muitas áreas que vão fazer o replantio e tem áreas que vão partir direto para outra cultura, com milho ou algodão safra verão", comenta Ferri. E acrescenta que a economia do Estado deve ter uma quebra grande devido ao dinheiro que deixará de circular, assim como perdas para o Brasil, devido aos dividendos da balança de exportação.

Atraso

A semeadura da safra de soja 2023/24 atingiu, até o dia 17 de novembro, 96,23% da área prevista de 12,2 milhões de hectares, segundo dados do Imea. O ritmo de cultivo segue atrás dos 98,96% plantados em igual momento do ano passado, percentual que é praticamente o mesmo da média para os últimos cinco anos (98,72%).

Mesmo com aumento de 0,82% na área plantada, em relação à safra passada, a produção deve cair de 45,3 milhões de toneladas para 43,8 milhões de toneladas nesta safra, devido à menor produtividade - outra consequência do calor extremo.

Com o solo atingindo em torno de 50º C, o desenvolvimento da leguminosa é prejudicado. "Há casos em que a planta já estava começando a se desenvolver, mas ficou seca. Dessa maneira, pode ser perdida ou ter afetada a produtividade, que não chegará ao potencial máximo", reforça Vanessa.

A produtividade da cultura no Mato Grosso já está com uma redução de 4,17%, passando de 62,3 sacas por hectare na última safra para a estimativa de 59,70 sacas por hectare na safra atual. "Essa produtividade ainda pode ser revisada para baixo se o cenário com o clima extremamente seco e com falta de chuva continuar", ressalta a gestora do Imea. A estimativa de safra também é revisada mensalmente pelo órgão.

Soja e pecuária preocupam

"Está sendo um ano muito complicado", avalia Jorge Pires, diretor do Sindicato Rural de Cuiabá (MT), ao comentar as consequências do calor extremo para as lavouras de soja e também para a pecuária no Mato Grosso.

Pires observa que há casos de produtores que já estão fazendo o replantio assim como de produtores que estão aguardando para fazer o replantio, uma vez que no momento não há umidade suficiente, além daqueles que nem conseguiram plantar.

O diretor é também produtor rural e cultiva a soja em uma área de 15 mil hectares em Brasnorte (MT). Ele conta que conseguiu plantar 100% da lavoura e aguarda para fazer o replantio de cerca de 5% a 10% do total.

O Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja, e o clima irregular ameaça, além das lavouras de soja e milho, a pecuária. O Estado também lidera o rebanho bovino do país, com 34,2 milhões de cabeças, ou 14,6% do efetivo nacional.

Pires explica que o clima adverso está gerando atrasos nas estações de monta - período em que as fêmeas são expostas ao touro ou à inseminação artificial. Segundo a Embrapa, uma estação de monta sem definição dificulta os controles sanitários, produtivos e reprodutivos do rebanho e pode comprometer os resultados produtivos e econômicos. "Esse atraso também nos preocupa muito", diz Pires.

O diretor comenta que os sindicatos devem se reunir com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) para avaliar a situação, com base em levantamentos mais precisos, para tomar uma posição conjunta no sentido de buscar apoio aos produtores rurais mato-grossenses. "Precisamos primeiro saber o tamanho do estrago que vamos ter", frisa.

Ápice do calorão

O ápice da onda de calor que atinge o país deve ter ocorrido na última semana, enfatiza Willians Bini, meteorologista e head de Comunicação da Climatempo. "Por enquanto, não estamos enxergando outra onda de calor tão intensa para este ano", comenta.

As temperaturas desses dias ultrapassaram os 40º C em muitos municípios brasileiros. As regiões mais atingidas foram o Sudeste, parte do Sul, todo o Centro Oeste e partes do Norte e Nordeste.

"Esse padrão de dois extremos do clima no Brasil hoje, com mais chuva no Sul e mais seco no Norte, é típico de El Niño. Mas o processo que o planeta está passando de alterações do clima, resulta de uma combinação de fatores", enfatiza.

No Brasil, as estatísticas mostram que os picos de calor ocorrem mais na primavera do que no verão, devido às condições da atmosfera. Nesta semana, por exemplo, as condições do tempo mais seco favorecem um alto nível de radiação, sem chuva para amenizar, o que faz com que as temperaturas disparem.

A melhor estratégia para o produtor rural, segundo o meteorologista, é estar atento e fazer uso de tecnologia e inovação para acessar dados meteorológicos de maneira mais assertiva: "evoluímos bastante em modelagem numérica de tempo e clima e essas informações têm que estar no planejamento e no dia a dia do produtor".

Bini refere-se a sistemas avançados, que tornam possível a obtenção de dados precisos e mais detalhados de meteorologia, indo além da previsão climática para uma região e abrangendo cada talhão da fazenda.tio assim como de produtores que estão aguardando para fazer o replantio, uma vez que no momento não há umidade suficiente, além daqueles que nem conseguiram plantar.

Fonte: Globo Rural

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