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Por que os cientistas j√° sabem onde procurar vida em Marte

Por Redação em 11/10/2021 às 08:27:21
O veículo Perseverance pousou alguns quilômetros a sudeste da formação do grande delta.

O veículo Perseverance pousou alguns quilômetros a sudeste da formação do grande delta.

Veículo da Nasa rastreia a área onde os cientistas dizem ter maior a probabilidade de encontrar sinais de vida.


"Definitivamente, estamos no lugar certo."

Há uma sensação de alívio na equipe científica encarregada pelo veículo explorador Perseverance (Perseverança, em português) que a agência espacial norte-americana, a Nasa, tem em Marte.

Os pesquisadores agora estão confiantes de que enviaram o veículo para o local que oferece a melhor chance possível de encontrar vestígios de vida no planeta vermelho.

"Percy", como o robô é carinhosamente chamado, pousou na cratera de Jezero em fevereiro de 2021 e, desde ent√£o, tirou milhares de fotos dos arredores da √°rea.

A interpreta√ß√£o dessas imagens é a base do primeiro artigo cient√≠fico baseado nessas descobertas, publicado nesta semana na revista Science.

A an√°lise confirmou que o Perseverance est√° onde antes era o fundo de um grande lago na superf√≠cie marciana, alimentado por um rio sinuoso que alcan√ßava uma depress√£o a oeste. Estamos falando de algo que aconteceu h√° mais de 3,5 bilh√Ķes de anos, quando o clima de Marte era mais parecido com o da Terra.

A partir das observa√ß√Ķes da Perseverance, foi poss√≠vel descobrir que no local onde o rio se ligava ao lago, o fluxo diminuiu repentinamente e os sedimentos suspensos acabaram por precipitar-se, formando um delta. Trata-se de uma forma√ß√£o em forma de cunha que também é poss√≠vel ver em muitos locais da Terra.

Foi neste ambiente que alguns micro-organismos podem ter se proliferado e talvez deixado vestígios que ainda hoje seriam conservados.


Um exemplo terrestre, na Pen√≠nsula do Sinai, de uma paisagem semelhante à de Jezero — Foto: Sanjeev Gupta/via BBC
Um exemplo terrestre, na Pen√≠nsula do Sinai, de uma paisagem semelhante à de Jezero


O professor Sanjeev Gupta, do Imperial College de Londres, co-autor do artigo da Science, comenta: "Algumas pessoas me disseram: 'O que h√° de novo nisso? J√° n√£o sab√≠amos que havia um delta na cratera de Jezero?' Bem, na verdade, n√£o sab√≠amos. Identificamos a partir de imagens orbitais que Jezero continha um delta, mas até que voc√™ esteja no solo n√£o pode ter certeza absoluta. Pode ser que estivéssemos olhando para um leque aluvial."

Um leque aluvial ou cone de deje√ß√£o é uma forma√ß√£o geológica na qual, em geral, um leque de materiais é depositado em um ambiente de muito mais energia, como um mar ou um rio.

Micróbios marcianos, se existissem, teriam preferido as √°guas mais calmas e permanentes de um delta.

O Perseverance pousou a cerca de 2 km do delta principal, mas as imagens capturadas por seu telescópio s√£o mais interessantes, especialmente quando ele est√° localizado em um monte isolado que os cientistas batizaram de Kodiak.

"É poss√≠vel ver nesses restos alguma estratifica√ß√£o que normalmente produziria um delta em desenvolvimento."

Existem fundos horizontais formados por finos sedimentos granulados que o rio jogou desde sua entrada até o lago na cratera. Acima deles, aparecem os sedimentos que desceram a encosta pelos lóbulos mais avan√ßados do delta. E mais acima ainda est√£o os sedimentos que foram depositados pelo rio depois que as margens do delta se expandiram.

Além do Kodiak e da forma√ß√£o do delta principal, Jezero tem muitos grandes penhascos. Isso indica a exist√™ncia de inunda√ß√Ķes em épocas posteriores à da história da cratera.

"Algo mudou na hidrologia. Não sabemos se foi um evento relacionado ao clima, não sabemos", diz o professor Gupta. "Para mover rochas tão grandes, você precisa de algo como uma inundação. Talvez houvesse lagos glaciais na bacia local que enviaram esses riachos de água em direção a Jezero."

"Vemos transbordamentos de lagos na Terra, em lugares como o Himalaia. Na bacia do Ganges, voc√™ tem essas grandes rochas misturadas na areia normal do rio e é onde ocorreu uma inunda√ß√£o repentina de um lago glacial", disse Gupta à BBC News.

A equipe cient√≠fica do Perseverance o enviar√° para a base da forma√ß√£o do delta principal para perfurar o terreno em busca das pequenas pedras de argila que esperam encontrar. Eles também se concentrar√£o em um anel de rochas calc√°rias ao redor da borda de Jezero, que possivelmente representa as margens do lago da cratera em sua época mais profunda.

O robô tem a miss√£o de coletar e armazenar mais de duas dezenas de amostras de rochas de diferentes locais. Essas amostras ser√£o trazidas de volta à Terra no in√≠cio de 2030 para serem examinadas em laboratórios capazes de determinar se existiram formas de vida microscópicas na superf√≠cie de Marte.

Os planos para isso est√£o bem avan√ßados e envolver√£o o envio de outro robô da Nasa e seus parceiros da Ag√™ncia Espacial Europeia para recuperar as amostras do ponto da cratera onde a Perseverance as armazena.

Ser√° um ve√≠culo de fabrica√ß√£o brit√Ęnica. Ele ir√° coletar as rochas e transferi-las para um foguete que as lan√ßar√° em dire√ß√£o a um ponto na órbita de Marte, onde um satélite estar√° esperando para finalmente transport√°-las para a Terra.

"Estamos prestes a entrar no momento mais emocionante da exploração de Marte ", diz Sue Horne, chefe de exploração espacial da Agência Espacial do Reino Unido.

"Com o sistema de propuls√£o do ve√≠culo de amostragem sendo testado no próximo m√™s, o sonho de examinar espécimes do planeta vermelho em breve se tornar√° realidade."

Fonte: G1

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