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Médicos negam ter manipulado estudo polêmico da Prevent Senior sobre

Por Redação em 03/10/2021 às 23:16:26
George e Andressa afirmaram ao Fantástico, da TV Globo, que foram chamados para revisar os dados depois até que o estudo já estava escrito. Operadora diz que "investigações técnicas esclarecerão os fatos".

Dois médicos da Prevent Senior que participaram da revisão do estudo polêmico da empresa com medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina para tratar a Covid-19 negaram, em entrevista ao Fantástico neste domingo (3), que tenham manipulado a planilha dos dados, conforme declarou na CPI da Covid o diretor-executivo da operadora, Pedro Batista Junior.

No depoimento, Batista afirmou que o casal de médicos George e Andressa Joppert, que trabalhavam para a empresa, "manipularam dados de uma planilha interna, uma planilha de acompanhamento de pacientes, para tentar comprometer a operadora".

"Eles invadiram o sistema, acessaram essa planilha e, mesmo não tendo mais nenhuma responsabilidade em cima desse processo, adulteraram a planilha", declarou o diretor.

George e Andressa eram "guardiões", nome do cargo na empresa de quem chefia os médicos plantonistas da Prevent Senior. Em entrevista ao Fantástico, os dois médicos confirmaram que participaram da revisão dos dados a pedido da empresa, mas negaram qualquer manipulação dos dados.

"Eles nos chamaram para gente revisar os dados. Depois até que o estudo já estava escrito. Tanto que o nosso nome não está no estudo", afirmou George Joppert.

"A forma vil, a forma de chamar a gente de criminoso. Nós não somos criminosos, nós não invadimos nada. Vieram da parte deles, compartilhar a tabela. Eu não sei porque que eles ficam acusando a gente de ter feito isso de forma criminosa, porque nós não fizemos isso", completou.

Estudo 'manipulado'

O estudo da Prevent analisou 636 pacientes da rede e atestou uma suposta eficácia do tratamento com cloroquina e azitromicina na redução de hospitalizações de casos de Covid-19. A Ciência já comprovou que esses remédios não previnem a doença, não reduzem hospitalizações, e que, em alguns casos, podem até representar risco para à saúde.

Segundo o dossiê entregue à CPI da Covid-19 pela advogada Bruna Morato, o documento foi manipulado para difundir a tese de que a cloroquina funciona contra a doença.

Pelo menos sete mortes de pacientes da pesquisa foram omitidas, de acordo com o dossiê. A Prevent Senior também é acusada de prescrever o chamado "kit Covid" sem o consentimento dos pacientes.

"Nós ficamos sabendo que não tinha nenhum parecer do Comitê de Ética. Isso daí fere o principal, né?! Em qualquer escola de Medicina, na iniciação científica, a primeira coisa que você aprende é a ética em pesquisa. Se você não tem a ética em pesquisa, nenhum, nenhum estudo é válido", disse Joppert ao Fantástico.

Na CPI, Bruna Morato disse que, no início da pandemia, a Prevent Senior passou a trabalhar em sintonia com o grupo que ficou conhecido como "gabinete paralelo da saúde", e que assessorava o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O objetivo, segundo ela, era difundir o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid, passar uma falsa sensação de segurança, e assim evitar que fossem decretadas medidas de isolamento que prejudicassem a economia brasileira.

"A Prevent Senior tinha segurança de que ela não sofreria fiscalização do Ministério da Saúde ou de outros órgãos vinculados ao Ministério da Saúde. Inclusive, foi essa segurança que fez nascer neles o interesse de iniciar um protocolo experimental, cientes de que não seriam devidamente investigados ou averiguados pelo ministério", declarou na CPI.

O Fantástico procurou o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde, mas não teve retorno.

Outras denúncias

Na entrevista desse domingo (3), três ex-médicos da Prevent Senior reafirmam a pressão para prescrição de "kit Covid" nos hospitais da empresa e confirmam a meta para que os médicos atendessem 60 pacientes por cada plantão de 12 horas nos hospitais (veja mais aqui).

Os três médicos devem ser ouvidos pela CPI da Covid nos próximos dias.

"A intenção de denunciar também é expor a fraude. Expor a fraude do tratamento precoce, a fraude de suposto sucesso de gestão", disseo médico Walter Correa ao Fantástico.

"Nós estamos fazendo a coisa certa. Nós não somos criminosos. O bem social acho que tem que prevalecer acima de qualquer outra definição, ou de dinheiro ou de lucro", afirmou George Joppert.


Os médicos George Joppert, Walter Correa e Andressa Joppert, que trabalhavam para a Prevent Senior, falam ao Fantástico neste domingo (3). — Foto: Reprodução/TV Globo
Os médicos George Joppert, Walter Correa e Andressa Joppert, que trabalhavam para a Prevent Senior, falam ao Fantástico neste domingo (3).


"São vidas que eles estão cuidando, e não estão cuidando como deveriam cuidar", declarou Andressa Joppert. A médica afirma, inclusive, que foi um diretor chegou a obrigá-la a receitar hidroxicloquina a uma paciente com problemas cardíacos, sob ameaça velada de demissão.

"É uma contraindicação para o uso de hidroxicloroquina. Até no próprio protocolo da Prevent é uma contraindicação. Então, mesmo com aquela contraindicação, eu fui orientada. Teria que prescrever, mas eu não prescrevi. E fui chamada atenção", afirmou.

O que diz a Prevent Senior

Em nota enviada ao Fantástico, a Prevent Senior informou que a paciente mencionada pela médica Andressa Joppert recebeu os tratamentos adequados, foi acompanhada pelos cardiologistas da empresa e encontra-se em bom estado de saúde.

A empresa disse também que jamais adotou protocolos para redução de custo, que investigações técnicas esclarecerão os fatos, e que os médicos estão mentindo e forjando acusações, "montadas a partir da manipulação de mensagens por três médicos demitidos da empresa por condutas irregulares". Dentre elas, casos de mau atendimento a pacientes que resultaram em boletins de ocorrência.

A TV Globo pediu à Prevent Senior que mostrasse os boletins, mas a empresa disse que vai apresentá-los no momento oportuno, judicialmente.

Os médicos ouvidos pela reportagem afirmaram desconhecer esses boletins.

Depoimento na CPI

A advogada Bruna Morato prestou depoimento à CPI da Covid em 28 de setembro ao longo de sete horas e relatou uma rotina de ameaças a médicos da operadora de saúde Prevent Senior durante a pandemia de Covid.

Ela apontou falta de autonomia dos profissionais, exigência da prescrição de remédios ineficazes e o envolvimento da empresa em um "pacto" com o chamado "gabinete paralelo" do Palácio do Planalto, que, segundo a CPI, orientava o presidente Jair Bolsonaro sobre condutas para o enfrentamento da pandemia.

A advogada representa 12 médicos que trabalharam para a operadora de saúde e os ajudou a elaborar um dossiê, formado por mais de 10 mil páginas, com denúncias sobre a operadora. A Prevent Senior é acusada de ocultar mortes de pacientes de Covid e de prescrever o chamado "kit Covid" sem o consentimento dos pacientes.

A empresa nega as acusações e afirma que sempre atuou dentro de parâmetros éticos e legais. Argumenta que sempre respeitou a autonomia dos médicos e nega fraude em estudo realizado para testar eficácia da hidroxicloroquina no combate à Covid-19. No último dia 22 de setembro, à CPI, o diretor-executivo da Prevent Senior também negou ocultação de dados para esconder mortes em razão da doença.

Fonte: G1

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