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Após derrota na Justiça, André Brasil admite incerteza sobre futuro

Por Redação em 15/04/2021 às 08:43:58

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Em abril de 2019, antes de um torneio internacional em São Paulo, o nadador passou por uma reclassificação, após o IPC promover mudanças nas regras de avaliação, em 2018. As duas bancas de especialistas, que o analisaram dentro e fora da água, não o consideraram apto à S10 nos nados livre, costas e borboleta. Como não há uma categoria acima, André ficou inelegível nestas provas. A exceção é o peito, estilo em que o carioca de 36 anos ainda poderia lutar por vaga na Olimpíada de Tóquio (Japão), mas que nunca foi sua especialidade.

“A última vez que nadei oficialmente os 100 [metros nado] peito foi em Guadalajara [México, nos Jogos Parapan-Americanos], em 2011. Foi uma jornada de dez anos [desde então], com o corpo diferente e, principalmente, um nado em que, talvez, eu não venha a dar um resultado que me coloque na disputa para os Jogos. Por isso o meu posicionamento de que não tenho mais chance [de classificação pra Tóquio]”, argumentou.

Na ação, André teve apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Assinada pelo presidente Mizael Conrado, a nota da entidade afirma que a alteração nos critérios para classificação funcional “não foi pautado pela ciência e nem tampouco por pesquisa que pudesse retratar a equidade do esporte paralímpico”. A crítica faz coro a uma das reclamações do nadador, que recebeu três pontos (de cinco possíveis) na avaliação dentro da água, por causa de um movimento de tornozelo que, segundo ele, não condiz com a deficiência na perna esquerda.

Nas análises dentro e fora da água, o atleta acumula um máximo de 300 pontos, o que representa uma pessoa sem deficiência para locomoção. Para um nadador estar apto às provas paralímpicas, a soma máxima é de 285 pontos. André, na reclassificação de 2019, obteve um ponto a mais.

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“A deficiência do André não é progressiva, ela só limita ainda mais os movimentos. Portanto, como justificar então tudo o que ele conquistou? Denominamos esta mudança na classificação como um dos mais tristes episódios da história do paralimpismo mundial. O fato de o André Brasil não ter tido nova oportunidade de classificação aumenta nossa tristeza e deixa a dúvida se a prioridade do esporte são os atletas”, conclui a nota do CPB.

Outro questionamento de André e do CPB diz respeito à presença da chefe dos classificadores no torneio que o nadador disputaria em São Paulo nas duas bancas de avaliação. Eles argumentam que ela não poderia ter se envolvido nas duas análises.

“Em 2018, fiz uma cirurgia no ombro que me fez refletir sobre muitas coisas, inclusive minha continuidade. Isso [inelegibilidade] veio a acelerar o pensamento. Não sei se [o futuro] será na borda da piscina, como técnico, mas, hoje, acredito que seria [atuando] nos bastidores. A gente não pode ficar à mercê de um sistema que determina a vida das pessoas de uma forma que, no meu entender, é injusta, por ser subjetiva. A toada que o movimento do esporte adaptado tem levado na classificação cada vez mais dificulta a vida de quem sonha em se tornar um atleta paralímpico”, finalizou André.

Fonte: EBC

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