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De onde vem o que eu como: o que são alimentos orgânicos e por que eles custam mais

Por Redação em 17/11/2021 às 06:21:33
Além de n├úo usarem agrotóxicos e transgênicos, agricultores precisam cumprir uma série de normas ambientais e trabalhistas, o que exige mais investimento. Produ├ž├úo pequena e pre├žo praticado por supermercados s├úo outros fatores que encarecem produtos. Pre├žo é maior limitador (62%) do consumo de org├ónicos, segundo a Associa├ž├úo de Promo├ž├úo dos Org├ónicos (Organis).

Sri Lanka

O mercado de alimentos org├ónicos é um ramo em crescimento no Brasil e, só em 2020, avan├žou 30% em rela├ž├úo ao ano anterior, movimentando R$ 5,8 bilh├Áes, segundo a Associa├ž├úo de Promo├ž├úo dos Org├ónicos (Organis).

A busca por uma alimenta├ž├úo mais saud├ível e o aumento do consumo em casa por causa da pandemia de Covid-19 puxaram a alta do setor que, neste ano, deve avan├žar mais 10%.

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As frutas, as verduras e os legumes s├úo ainda os tipos de alimentos org├ónicos mais consumidos no Brasil. E, no mundo, o país se destaca como o maior produtor de a├žúcar e acerola nesse modelo, diz a Organis.

S├úo 25 mil produtores cadastrados no Ministério da Agricultura que est├úo, em sua maioria, na regi├úo Sul (40%). Em seguida, est├úo Nordeste (24%), Sudeste (22%), Norte (9%) e Centro-Oeste (5%).

Nos últimos anos, feiras, vendas on-line e assinatura de cestas reduziram a dist├óncia entre esses produtores e as pessoas, aumentando as chances de encontrar org├ónicos por um valor mais em conta do que nos supermercados.

No entanto, o pre├žo continua sendo o maior limitador (62%) do acesso a esses produtos, ressalta a Organis.

Nessa reportagem, vamos explicar:

Por que os alimentos orgânicos são mais caros;

Como os supermercados repassam pre├žos;

Como tornar os org├ónicos mais acessíveis.

Produ├ž├úo de org├ónicos

Arte/g1

Por que os alimentos orgânicos são mais caros

Existe um consenso internacional de que se paga 30% a mais por um produto org├ónico em rela├ž├úo ao convencional, diz o diretor da Organis, Cobi Cruz.

E uma das raz├Áes para isso é que a produ├ž├úo org├ónica tem uma responsabilidade socioambiental maior, que é prevista em lei e é fiscalizada, o que exige mais investimentos por parte do produtor rural.

Além de n├úo usar agrotóxicos e nem cultivar transgênicos, uma propriedade de org├ónicos é obrigada a manter pr├íticas que preservem o meio ambiente e que respeitem os direitos dos trabalhadores.

Os agricultores que v├úo trabalhar na produ├ž├úo org├ónica, por exemplo, precisam ter, todos, carteira assinada. E quem quer adotar o modelo tem como uma de suas obriga├ž├Áes fazer a convers├úo do solo: ou seja eliminar, por exemplo, todo o resíduo de agrotóxico presente ali, o que pode levar até três anos.

Além disso, o modo de produzir n├úo pode contaminar o ar, o solo, a ├ígua e precisa respeitar as características sociais, culturais e econômicas da comunidade ao redor.

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Essas e outras exigências est├úo previstas na lei 10.831 de 2003 e s├úo fiscalizadas por empresas privadas certificadoras, autorizadas e acompanhadas pelo Ministério da Agricultura.

"A tecnologia de produ├ž├úo org├ónica est├í em constru├ž├úo e por isso ela ainda é mais cara. Se você for comparar com produtores que n├úo precisam assinar carteira de todo mundo, que n├úo cuidam de Reserva Legal, de ├ürea de Preserva├ž├úo Permanente, tem uma grande diferen├ža de custo", diz o sócio-diretor da consultoria Agrosuisse, F├íbio Ramos.

Produ├ž├úo menor

A agricultura org├ónica nasceu e ainda é feita, em sua grande maioria, em pequenas propriedades.

Elaine Casap/Unplash

A agricultura org├ónica nasceu e ainda é feita, em sua grande maioria, em pequenas propriedades, administradas, em muitos casos, por agricultores familiares.

Por isso, a produ├ž├úo é pequena, muito diferente das grandes lavouras de soja e milho, que geram uma enorme quantidade de alimentos, com o estímulo, por exemplo, de gr├úos geneticamente modificados, que s├úo mais produtivos e resistentes a pragas e doen├žas.

E, neste caso, a conta é simples: quanto menor a quantidade produzida, maior é o seu custo.

"Uma das exce├ž├Áes, atualmente, é o a├žúcar org├ónico. Seu pre├žo é similar ao de um a├žúcar convencional porque tem escala. S├úo grandes empresas que atuam no ramo, o que torna mais em conta também a logística e a distribui├ž├úo do produto", diz Cobi, da Organis.

Ritmo de produ├ž├úo

Outro fator é que um alimento org├ónico, no geral, demora mais tempo para ficar pronto. Todo o controle de pragas e doen├žas e a fertiliza├ž├úo do solo s├úo feitos de forma natural, por bioinsumos, que s├úo microorganismos, como bactérias, fungos e plantas.

Esse tipo de manejo, chamado de controle biológico, tem um efeito mais lento do que os agrotóxicos e adubos químicos.

Outra característica da produ├ž├úo org├ónica é que ela respeita a sazonalidade de cada alimento, ou seja, a esta├ž├úo e o clima mais adequados para o cultivo e a colheita.

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Pre├žo nos supermercados

Em geral, as grandes redes de varejo cobram 30% a 100% mais do valor pago aos produtores, a depender do alimento

Raul Gonzalez Escobar/Unplash

Por outro lado, nem sempre o que encarece o produto org├ónico vem exclusivamente do campo. Além dos custos de transporte, tem também o pre├žo que é cobrado pelos supermercados.

Em geral, as grandes redes de varejo costumam cobrar um pre├žo 30% a 100% mais alto do que o valor pago aos produtores, a depender do alimento, diz Cobi.

Mas isso j├í foi bem pior no passado e motivo de muitos produtores do setor terem quebrado nos anos 2000, relembra Ramos, que também é diretor-geral do Sítio do Moinho, que produz org├ónicos em Itaipava, no Rio de Janeiro.

No final dos anos 90, não existia uma cadeia bem estruturada para levar o produto orgânico para o mercado e isso fazia com que não houvesse um parâmetro de valor.

"O agricultor vendia o seu produto org├ónico por um pre├žo normal, mas as grandes redes de supermercados praticavam um overprice [sobrepre├žo] de até 250%", conta Ramos.

"Com isso, os produtores da primeira onda de org├ónicos quebraram...n├úo aguentaram o custo que era construir essa cadeia. Isso ajudou a construir uma imagem equivocada de que o produto org├ónico tem que ser muito caro. Ele é mais caro que o convencional, mas ele n├úo precisa ser muito mais caro", relembra.

O barateamento dos org├ónicos come├žou a acontecer, por sua vez, quando eles entraram nas feiras livres, nos mercadinhos de bairro, a partir de 2005. "Em 2010, essa mudan├ža j├í estava mais consolidada", diz Ramos.

As alternativas foram aumentando e, hoje, o consumidor tem muito mais chance de encontrar um produto mais em conta.

Além das feiras, a compra direta dos produtores passou a ser possível com as vendas on-line e deliveries de cestas de org├ónicos, por exemplo, que cresceram muito durante a pandemia de Covid-19, lembra o Coordenador substituto de Produ├ž├úo Org├ónica do Ministério da Agricultura, Claudimir Sanches.

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"Os supermercados acabam colocando uma margem maior porque o org├ónico tem um selo e sabem que, o público que compra e que entra em uma grande rede tem convic├ž├úo de que deve consumir este produto", diz Sanches.

"Mas isso varia muito, de regi├úo para regi├úo, da proximidade com o produtor. Quando você tira qualquer intermedia├ž├úo, o pre├žo desse produto cai", acrescenta.

Como tornar mais acessível

Ganho de escala e mais acesso a insumos podem baratear orgânicos.

Markus Spiske / Unplash

Para Ramos, os org├ónicos tendem a se tornar cada vez mais acessíveis com o ganho de escala, o que, na vis├úo dele, passa pela entrada de grandes empresas agroindustriais no mercado.

"Isso aumenta a competi├ž├úo e a oferta de alimentos, n├úo só de frutas, verduras e legumes. Temos hoje, por exemplo, a Nestlé produzindo leite em pó org├ónico, a Sadia produzindo frango org├ónico", diz Ramos.

Uma outra alternativa para aumentar a oferta de alimentos é a uni├úo de pequenos produtores e agricultores familiares em cooperativas, por exemplo (saiba o que s├úo essas organiza├ž├Áes aqui).

Além disso, a quantidade de bioinsumos no mercado é muito menor quando comparada à oferta de agrotóxicos e fertilizantes químicos , diz Sanches, do Ministério da Agricultura.

"Tem produto que o agricultor consegue fabricar na sua própria unidade, mas tem outros que n├úo. Portanto, n├úo conseguir acessar os insumos necess├írios, n├úo só para controlar pragas, como também para fertilizar o solo, pode resultar em uma produtividade menor", explica Sanches.

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Fonte: G1

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