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Amaz√īnia: embaixador alem√£o v√™ 'boas inten√ß√Ķes', mas pede plano 'concreto' contra desmatamento

Por Redação em 09/11/2020 às 18:00:40
Heiko Thoms foi um dos 12 embaixadores que acompanharam vice-presidente Hamilton Mour√£o em viagem à regi√£o. Segundo ele, plano é essencial para acordo Uni√£o Europeia-Mercosul. O embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms, disse nesta segunda-feira (9) que o governo brasileiro mostra "boas inten√ß√Ķes" em encontrar uma solu√ß√£o para frear o desmatamento ilegal na Amazônia, mas, segundo ele, o que se espera do país agora é um "plano concreto" para enfrentar o problema.

Até o mês passado, a quantidade de queimadas na Amazônia j√° tinha superado a de todo o ano passado.

Thoms foi um dos 12 embaixadores que, na semana passada, participaram de uma viagem de três dias à Amazônia organizada pelo vice-presidente Hamilton Mour√£o.

Além do vice-presidente, também integraram a comitiva os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tereza Cristina (Agricultura) e Augusto Heleno (Gabinete de Seguran√ßa Institucional).

"É bom que a gente tenha boas inten√ß√Ķes, mas o que precisamos agora é de um plano concreto de a√ß√Ķes e que ele seja implementado", disse o embaixador alem√£o em entrevista ao G1.

Brasil tem piora em indicadores de desmatamento na Amazônia e de emiss√Ķes de gases

De acordo com Thoms, a mensagem foi transmitida pelos embaixadores à comitiva brasileira durante a viagem.

Ele também afirmou que a apresenta√ß√£o de um plano — e a credibilidade desse plano — ser√£o fundamentais para o andamento do acordo comercial entre Mercosul e Uni√£o Europeia (leia mais abaixo).

"O que precisamos agora — e nós dissemos aos ministros e ao vice-presidente — é de um plano de longo prazo para combater o desmatamento ilegal, com medidas e prazos concretos e com objetivos claros. Precisamos ter os números exatos de onde o Brasil quer ir e para que patamar o governo brasileiro quer reduzir o desmatamento", declarou o embaixador.

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Críticas internacionais

A viagem foi organizada depois que oito países europeus enviaram uma carta a Mour√£o, afirmando que a alta do desmatamento poderia dificultar a importa√ß√£o de produtos brasileiros.

No documento, divulgado em setembro, os países disseram estar comprometidos em limitar o desmatamento das cadeias de produtos agrícolas vendidos para a Europa. Em resposta, Mour√£o j√° tinha informado que pretendia levar os embaixadores para visitar o bioma.

A carta foi encaminhada em meio ao aumento das críticas internacionais à política ambiental adotada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, e ao crescimento do desmatamento e das queimadas no país nos últimos meses.

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Bolsonaro e ministros do governo têm apontado que as críticas internacionais s√£o motivadas por interesses comerciais e têm o objetivo de prejudicar produtores brasileiros, especialmente da agricultura e da pecu√°ria.

Em setembro, em discursos apresentados à Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas (ONU), Bolsonaro afirmou que o Brasil tem sido "vítima" de uma campanha "brutal" de desinforma√ß√£o sobre a Amazônia e o Pantanal, e voltou a culpar ONGs por crimes ambientais, sem apresentar provas.

Acordo Mercosul-UE

O embaixador afirmou que a prote√ß√£o ao meio ambiente e a promo√ß√£o de políticas voltadas à sustentabilidade é uma preocupa√ß√£o do governo alem√£o e que, por isso, o país tem interesse em cooperar com o Brasil para a redu√ß√£o do desmatamento da Amazônia.

A Alemanha, junto com a Noruega, financia o Fundo Amazônia, criado em 2008 para apoiar projetos de redu√ß√£o do desmatamento e fiscaliza√ß√£o.

O Fundo Amazônia est√° parado desde abril de 2019, quando o governo Bolsonaro extinguiu os colegiados Comitê Orientador (COFA) e o Comitê Técnico (CTFA), base do fundo.

Thoms afirmou que o acordo entre Mercosul e Uni√£o Europeia abrange aspectos relacionados ao meio ambiente e à sustentabilidade.

Segundo ele, a credibilidade de um futuro plano contra o desmatamento a ser apresentado pelo governo Bolsonaro ser√° essencial para que o acordo saia definitivamente do papel.

"Precisamos ver agora provas de a√ß√Ķes sérias. Sustentabilidade é parte do acordo Uni√£o Europeia-Mercosul mas, se a gente sente que isso n√£o est√° sendo levado a sério, ent√£o também teremos dúvidas sobre o acordo. Queremos nos livrar dessas dúvidas", afirmou.

Fonte: G1

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