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Após suspeitas de irregularidades, governo anula leilão para compra de arroz importado

Por Redação em 11/06/2024 às 14:00:22

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, anunciou nesta terça-feira (11) a anulação do leilão do governo para compra de arroz importado. Segundo ele, um novo procedimento, "mais ajustado", ser√° realizado.

A medida foi tomada após suspeitas de irregularidades no leilão para compra de 263 mil toneladas de arroz realizado na √ļltima quinta-feira (6).

"Pretendemos fazer um novo leilão, quem sabe em outros modelos, para que a gente possa ter as garantias de que vamos contratar empresas que tenham capacidade técnica e financeira [...]. A decisão é anular este leilão e proceder um novo mais ajustado, vendo todos os mecanismos poss√≠veis para a gente contratar empresas com capacidade de entregar arroz com qualidade, a preço barato para os consumidores", declarou Pretto no Pal√°cio do Planalto.

Segundo o ministro do Desenvolvimento Agr√°rio (MDA), Paulo Teixeira, o presidente Lula endossou a decisão de anular e convocar um novo leilão. Ele, Pretto e o ministro da Agricultura, Carlos F√°varo, participaram de reunião com Lula antes do an√ļncio da suspensão.

No leilão realizado na semana passada, o preço médio de cada saco de arroz de 5 quilos atingido foi de cerca de R$ 25. Segundo o portal Globo Rural, empresas sem histórico de atuação no mercado de cereais participaram do certame e arremataram lotes.

O governo decidiu importar arroz poucos dias depois do in√≠cio das enchentes no Rio Grande do Sul. O estado é respons√°vel por 70% da produção nacional do grão, mas j√° havia colhido 80% do cereal antes das inundações.

No dia 7 de maio, o ministro da Agricultura, Carlos F√°varo, afirmou que o governo decidiu comprar arroz para evitar alta de preços diante da dificuldade pela qual o estado passava para transportar o grão para o restante do pa√≠s.

Na ocasião, ele disse também que nenhum atacadista, naquele momento, tinha "estoques para mais de 15 dias".

Fragilidades

Segundo Teixeira e F√°varo, o governo identificou que a maior parte das empresas que participou do leilão tinha "fragilidades" para operar um volume tão grande de arroz e de dinheiro. F√°varo frisou que não houve pagamento pelo produto do leilão anulado.

"Ninguém vai pagar sem que o arroz esteja aqui, entregue", disse o ministro da Agricultura, que prometeu "régua mais alta" no próximo leilão.

O edital do novo leilão ser√° feito com aux√≠lio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Receita Federal.

O governo deseja avaliar antes do pregão se as empresas habilitadas t√™m condições técnicas e financeiras de executar os contratos. Os ministros explicaram que, no modelo do leilão anulado, o governo soube após o pregão as informações das empresas.

"Não podemos ficar sabendo depois do leilão quem que se habilitou e quem que ganhou", disse F√°varo.

A falta de experi√™ncia das empresas vencedoras chamou atenção no mercado, conforme o Globo Rural.

Também gerou mal-estar o fato de a Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e da Foco Corretora de Grãos terem intermediado parte da venda. As empresas, que receberiam comissões pelo leilão, foram criadas em 2023 por Robson Luiz de Almeida França, ex-assessor de Neri Geller, que até esta terça era secret√°rio de Pol√≠tica Agr√≠cola do governo federal.

Conforme Globo Rural, França também é sócio de Marcelo Geller, filho de Neri, em uma empresa aberta em 2023. Ele também foi colega de Thiago dos Santos, atual diretor de operações e abastecimento da Conab.

Pretto afirmou que ainda vai avaliar a permanência de Santos no cargo.

Queda de secret√°rio

Nesta terça-feira, em razão da pol√™mica em torno do leilão para importação de arroz, o ministro da Agricultura anunciou a sa√≠da de Neri Geller do cargo de secret√°rio de Pol√≠tica Agr√≠cola.

Segundo o ministro, Neri Geller colocou o cargo à disposição do governo e foi demitido.

"Hoje [terça-feira], pela manhã, o secret√°rio Neri Geller me comunicou, fez ponderação, quando filho dele estabeleceu sociedade com esta corretora do Mato Grosso, ele não era secret√°rio de pol√≠tico agr√≠cola. Não h√° fato que desabone ou que gere qualquer tipo de suspeita, mas que de fato gerou transtorno, e por isso colocou cargo a disposição", afirmou F√°varo.

Segundo o portal Globo Rural, h√° no governo federal uma avaliação de poss√≠vel conflito de interesses por parte do ex-secret√°rio, uma vez que uma corretora de um ex-assessor de Neri Geller est√° envolvida no leilão.

Geller, ex-ministro da Agricultura e ex-deputado federal, foi um dos nomes ligados ao agronegócio que apoiou Lula na eleição de 2022.

Fonte: G1

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