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Claudia Sheinbaum vence eleições e se torna a primeira mulher a assumir presidĂȘncia do MĂ©xico

Por Redação em 03/06/2024 às 07:11:16

Pela primeira vez na história, o México terĂĄ uma presidente mulher. Claudia Sheinbaum superou as estimativas e derrotou Xóchitl GĂĄlvez. Com 60% das urnas apuradas, Sheinbaum recebeu entre 58% e 60% dos votos, 32 pontos à frente da rival de centro-direita Xóchitl GĂĄlvez, segundo a apuração rĂĄpida do Instituto Nacional Eleitoral (INE). A segunda colocada, Xóchitl GĂĄlvez, recebeu entre 26% e 28% dos votos. As pesquisas jĂĄ apontavam a vitória da esquerda. Claudia Sheinbaum, de 61 anos, é cientista de ascendĂȘncia judia e fez doutorado em engenharia ambiental na Unam (Universidad Nacional Autónoma de México), para o qual pesquisou durante quatro anos nos Estados Unidos, e fez parte do Painel Intergovernamental sobre Mudança ClimĂĄtica da ONU (IPCC) que ganhou um PrĂȘmio Nobel da Paz em 2007. Desde jovem seu magnetismo estava enraizado em suas convicções de esquerda que a tornaram militante do Conselho Estudantil UniversitĂĄrio (CEU), segundo um colega de mestrado.

Tanto na sua militância estudantil nos anos 1980, como em seu primeiro cargo pĂșblico como secretĂĄria do Meio Ambiente da Cidade do México (2000-2006), mostrava seriedade e foco. Como prefeita de um distrito da Cidade do México, enfrentou o desmoronamento de um colégio durante o terremoto de 2017 que matou 26 pessoas, incluindo 19 crianças. Também gerenciou com destreza um dos momentos mais difĂ­ceis como prefeita da capital (2018-2023): a pandemia e a queda de uma linha do metrô. O uso de métodos cientĂ­ficos e ferramentas tecnológicas refletiu a marca de Sheibaum na gestão da covid, que, no entanto, deixou uma elevada mortalidade.

A vitória de Sheibaum, é um marco histórico no México, um paĂ­s marcado pela violĂȘncia de gĂȘnero. Os nĂșmeros do governo registraram 852 feminicĂ­dios no ano passado. "A vitória de uma mulher para presidĂȘncia com certeza pode marcar uma nova remodelação das democracias com mulheres ganhando poder", fala Vitélio Brustolin, professor de relações internacionais da UFF e pesquisador de Harvard. Contudo, ele adianta que ela terĂĄ a difĂ­cil missão de combates a violĂȘncia. O cientista polĂ­tico Leandro Consentino vĂȘ essa mudança no cenĂĄrio polĂ­tico mexicano como um esforço que a sociedade tem feito em prol da igualdade de gĂȘnero, inclusive com leis aprovada de paridade de gĂȘnero para os trĂȘs poderes. A vitória de GĂĄlvez pode impulsionar a implementação da questão de gĂȘnero e da violĂȘncia de gĂȘnero na agenda central", acrescenta o professor.

As eleições deste domingo, que aconteceram em meio a assassinato de candidatos, levou mais de 99 milhões de eleitores mexicanos às urnas e contou mais de 27.000 militares e agentes da Guarda Nacional mobilizados para garantir a segurança das eleições. Segundo o governo, desde o inĂ­cio do processo eleitoral, em setembro de 2023, foram assassinados 22 candidatos. A organização Data CĂ­vica, no entanto, contabiliza 30 vĂ­timas fatais. O balanço aumentou na terça-feira (28) com o assassinato de um candidato a prefeito no estado de Morelos (centro). Em Jalisco, outro candidato foi ferido a tiros.

Fonte: JP

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