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MĂ©xico vai às urnas neste domingo em uma eleição que dĂĄ sinais da chegada de uma mulher à presidĂȘncia pela 1ÂȘ vez na história

Por Redação em 02/06/2024 às 07:10:16

O México conhece neste domingo (2) quem serĂĄ o novo governante do paĂ­s. Apesar das eleições serem mais uma marcada pela disputa entre esquerda e direita, tem um marco que pode ser histórico: a primeira vez que uma mulher vai chegar à presidĂȘncia, em um paĂ­s assolado pela violĂȘncia de gĂȘnero. As pesquisas mostram Claudia Sheinbaum, de esquerda e apoiada pelo atual presidente, Andrés Manuel López Obrador, e Xóchitl GĂĄlvez, de centro-direita e apoiada por uma coalizão dos partidos tradicionais PAN, PRI (que governou durante sete décadas até 2000) e PRD, nas primeiras posições. Sheinbaum lidera as intenções de voto. Ela aparece com 54% e é seguida por GĂĄlvez, com 34%. Em terceiro lugar estĂĄ o centrista Jorge Álvarez MĂĄynez, com 12% das intenções de voto. Mais do que eleger o próximo mandatĂĄrio, as eleições também podem mudar a polĂ­tica do paĂ­s, jĂĄ que 20 mil cargos estão em disputa, incluindo as cadeiras no Congresso e nove de 32 governadores.

A quase certa vitória de uma mulher para presidĂȘncia do México pode ter impactos não só no paĂ­s como na comunidade internacional. "É algo muito representativo para o sistema internacional, porque o México é um paĂ­s importante e as duas candidatas são qualificadas para o cargo. A vitória de uma com certeza pode marcar uma nova remodelação das democracias com mulheres ganhando poder", destaca Vitélio Brustolin, professor de relações internacionais da UFF e pesquisador de Harvard. "A mulher que for eleita vai ter que combater uma violĂȘncia absurda em um dos paĂ­ses mais violentos do mundo. Ao mesmo tempo que tem questão do emponderamento, tem a necessidade de que quem assuma tenha uma visão estratégica e pulso firme para lidar com a violĂȘncia do paĂ­s e o trĂĄfico de drogas", complementa.

O cientista polĂ­tico Leandro Consentino vĂȘ essa mudança no cenĂĄrio polĂ­tico mexicano como um esforço que a sociedade tem feito em prol da igualdade de gĂȘnero, inclusive com leis aprovada de paridade para os trĂȘs poderes. "Não é simplesmente uma candidatura feminina tirada ao acaso, é a consequĂȘncia de um processo que jĂĄ vem se pensando do ponto de vista de examinar questões de gĂȘnero", observa o especialista. "Existe um desafio colocado aĂ­ para que essa candidatura não seja uma candidatura de uma mulher que aĂ­ vai poder ou não desempenhar essa questão, mas sim uma candidatura que seja a consequĂȘncia de um processo mais amplo e que seja, e que coloque a questão de gĂȘnero e da violĂȘncia de gĂȘnero na agenda central", acrescenta.

economia no méxico

As eleições acontecem em um momento de alta violĂȘncia no paĂ­s, algo enraizado desde o inĂ­cio de uma ofensiva militar em 2006 contra os cartéis, que obtĂȘm lucros milionĂĄrios com o trĂĄfico de drogas sintéticas para os Estados Unidos, onde se abastecem com armas. Desde então, o México acumulou mais de 450 mil homicĂ­dios e mais de 100 mil desaparecimentos, segundo dados oficiais. As mulheres também são atingidas pela violĂȘncia: os nĂșmeros do governo registraram 852 feminicĂ­dios no ano passado. Especialistas ouvidos pela reportagem, destacam que essa votação estĂĄ marcada pela continuação ou não do governo de Obrador. "O atual presidente mexicano é uma liderança importante dos Ășltimos tempos, uma liderança que consolidou uma popularidade bastante interessante, só que em meio a um contexto bastante complexo, sobretudo pelo avanço da violĂȘncia urbana no México", explica o cientista polĂ­tico Leandro Consentino.

"Os narcotraficantes dominaram muitas instâncias e do ponto de vista eleitoral é algo complicado, porque costumam produzir divergĂȘncia de opiniões e, convivendo com um momento de alta criminalidade, é um barril de pólvora. Então hĂĄ uma preocupação do ponto de vista da segurança." Vitélio relembra que "o México estĂĄ com esse negócio de combater a violĂȘncia armada desde sempre, mas em 2006, quase 20 anos desde que uma estratégia foi lançada para combater os carteis. O crime organizado deixou mais de 500 mil mortos e 100 desaparecidos. São nĂșmeros de guerra. População tem treinado crianças para combater o crime. Esse é o nĂ­vel que a violĂȘncia chegou", destaca o professor. Consentino visualiza que, se as pesquisas se confirmarem e a candidata de esquerda vencer, a questão da violĂȘncia deverĂĄ ser tratada com um problema mais de desigualdade social. Agora, se a representante da direita for a eleita, haverĂĄ uma resposta "mais de força, mais de segurança, mais de enfrentamento com a questão da criminalidade".

feminicidio

Quando se fala sobre as eleições mexicanas, é preciso levar em consideração os Estados Unidos, que também vão às urnas neste ano para decidir a permanĂȘncia de Joe Biden no poder ou a volta de Donald Trump, que aparece à frente nas pesquisas eleitorais, mesmo com o mar de acusações e problemas com a Justiça que ele enfrenta. Caso a esquerda vença no México, como mostram as pesquisas, e a direita nos Estados Unido, a reemergĂȘncia do trumpismo complicarĂĄ a compatibilização com as pautas mexicanas. Para o governo do Brasil, do ponto de vista polĂ­tico, a manutenção da esquerda no poder é a melhor escolha. Contudo, mesmo que a candidata de direita ganhe, as relações vão permanecer. Dos 129 milhões de mexicanos, quase 100 milhões estão registrados para votar na eleição de turno Ășnico, vencida por maioria simples.

Fonte: JP

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