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Relógio raro foi vandalizado em dois momentos durante ataque golpista ao Planalto, diz PF

Por Redação em 14/05/2024 às 05:39:42
Além de homem que j√° é réu no STF, per√≠cia aponta que outro invasor destruiu peça histórica de Balthazar Martinot trazida por Dom João VI. Os dois ataques foram em 8 de janeiro de 2023. Uma per√≠cia realizada pela Pol√≠cia Federal nas imagens do circuito interno do Pal√°cio do Planalto identificou que o relógio histórico de Balthazar Martinot foi danificado em dois momentos diferentes durante os ataques do dia 8 de janeiro de 2023.

A obra, trazida por Dom João VI para o Brasil em 1808, virou um dos s√≠mbolos dos atos golpistas na sede da Presid√™ncia. O relógio é feito de casco de tartaruga e com um bronze que não é fabricado h√° dezenas de anos. No começo deste ano, a peça foi enviada para restauro na Su√≠ça.

De acordo com o laudo, os manifestantes ocuparam o 3¬ļ andar do Pal√°cio do Planalto, onde fica o gabiente do presidente Lula, por volta de 15h30. Tr√™s minutos depois, o relógio foi vandalizado pela primeira vez.

O momento foi gravado pelas câmeras de segurança. O invasor, vestido com uma blusa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi flagrado jogando o objeto no chão. Em seguida, ele atira um extintor de inc√™ndio e tenta quebrar a câmera de segurança.

Ele foi identificado como Antônio Cl√°udio Alves Ferreira e est√° preso.

Veja como ficou relógio raro, do século 17, destru√≠do em ataque terrorista no Pal√°cio do Planalto

É #FAKE que relógio do século XVII foi destru√≠do antes da invasão ao prédio

Antônio é réu no Supremo por crimes como associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democr√°tico de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela viol√™ncia e grave ameaça, com emprego de substância inflam√°vel, contra o patrimônio da União e com consider√°vel preju√≠zo para a v√≠tima.

Relembre no vídeo abaixo esse primeiro ataque:

PF prende homem que destruiu relógio de Dom João VI durante os ataques em Bras√≠lia

A PF apontou que, após Ferreira jogar o relógio no chão, um homem e uma mulher colocam o arm√°rio que apoia a peça no lugar. Em seguida, devolvem o relógio para o local.

Minutos depois, um homem usando chapéu camuflado, camisa da seleção brasileira e uma bandeira do Brasil amarrada começa a circular no terceiro andar. O invasor se aproxima da peça e, 16h12, volta a jogar o relógio no chão.

O homem não foi identificado no relatório. Na sequ√™ncia, manifestantes continuam circulando e agentes de segurança chegam a fazer dois disparos com arma de fogo contra os golpistas, mas deixam o local, que volta a ser ocupado pelos invasores.

Veja, nas fotos abaixo, os momentos em que o relógio é colocado de volta no móvel e, em seguida, derrubado novamente:

Primeiro, um casal de rostos cobertos levanta o relógio que tinha sido derrubado por Antônio Cl√°udio Alves Ferreira:

Manifestantes recolocam relógio histórico do Pal√°cio do Planalto em móvel, após primeiro ataque

PF/Reprodução

Esta imagem mostra o relógio de volta ao móvel:

Relógio histórico do Pal√°cio do Planalto recolocado em móvel, após primeiro ataque

PF/Reprodução

Pouco tempo depois, um segundo manifestante, de chapéu e uma bandeira do Brasil enrolada, derruba o relógio pela segunda vez:

Manifestante não identificado ataca relógio histórico do Pal√°cio do Planalto

PF/Reprodução

A imagem abaixo mostra o relógio no chão, com peças espalhadas, após o segundo ataque:

Relógio histórico do Pal√°cio do Planalto no chão, com peças espalhadas

PF/Reprodução

Peça rara

O relógio de p√™ndulo do século XVII foi um presente da Corte Francesa para Dom João VI. Balthazar Martinot era o relojoeiro do rei franc√™s Lu√≠s XIV.

Existem apenas dois relógios deste autor. O outro est√° exposto no Pal√°cio de Versailles, na França, mas possui a metade do tamanho da peça que foi destru√≠da pelos invasores do Planalto.

O valor do relógio não foi informado.

Veja outras obras danificadas no Pal√°cio do Planalto:

"As mulatas", de Di Cavalcanti: quadro foi encontrado com sete rasgos e peça tem valor est√° estimado em R$ 8 milhões.

"O Flautista", de Bruno Jorge: avaliada em R$ 250 mil, a escultura em bronze foi encontrada completamente destru√≠da, com pedaços espalhados pelo chão.

"Bandeira do Brasil", de Jorge Eduardo: a pintura, que reproduz a bandeira nacional hasteada em frente ao pal√°cio, foi encontrada boiando sobre a √°gua que inundou todo o térreo do Planalto.

Escultura de parede em madeira de Frans Krajcberg: avaliada em R$ 300 mil, a peça teve galhos quebrados.

Mesa de trabalho de Juscelino Kubitschek: a mesa foi usada como barricada pelos terroristas.

Mesa-vitrine de Sérgio Rodrigues: o móvel teve o vidro quebrado.

Fonte: G1

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